Breve entrevista com Tomaz Canabrava

Estar envolvido com comunidades (principalmente de software) nos levam a conhecer pessoas marcantes. Gostaria de apresentar o Tomaz, uma dessas pessoas. Vou apresentar como o conheci e um pouco sobre ele e os projetos SL que ele participa alem dos ganhos que trouxe a ele.

Tempo atrás eu tive o prazer de encontrar um blog de um baiano que estava escrevendo um livro sobre Qt (biblioteca que eu estava aprendo na época) e achei muito interessante o projeto que eles estava desenvolvendo, o Rocs.

Depois eu assisti uma palestra dele no fisl sobre o KDE onde me senti com maior vontade de aprender sobre o KDE (<pessoal>o melhor DE que existe! :D</pessoal>).

Segue um pouco mais sobre ele.

-Tomaz, Qual o seu curso e Universidade e quando foi seu ingresso?

Ah, cursos foram vários, Inicialmente havia entrado em Sistemas de Informação na faculdade jorge amado, aqui em salvador. Mas os professores, embora bons, não gostavam de incentivar os alunos a pesquisar, isso me desestimulou e mudei-me para Campina Grande na Paraíba, estudando para fazer ciência da computação lá, infelizmente não passei no vestibular e retornei a bahia, onde ingressei na Ruy Barbosa, na epoca, uma boa faculdade.

-Qual era seu nível de conhecimento antes de ingressar no curso?

Sabia programar, assim assim, nada muito especial. Minhas atividades de programação começaram com um jogo chamado Ultima Online, que tinha um servidor gratuito onde era possivel modificar o jogo, comecei por ai. Depois disso enfiei a cara em C, aprendi PHP pra fazer trabalinhos pequenos, mas gostava bastante de C, brincar com ponteiros, escovar bits. Tentei aprender asm mas não tive muito sucesso. isso tudo antes de começar o curso.

-Você é usuário de software livre (SL) a quanto tempo? E como iniciou a contribuir/se envolver com SL?

Primeira vez que usei SL foi em 98, quando comprei uma revista da banca que vinha com o Mandrake Linux, uma distribuição Francesa falecida ( bem, falecida não, mas mesclou-se com o Conectiva, virando mandriva ) , dai eu achei o linux *horrivel*, nada funcionava direito na minha mente adolescente que queria apenas colocar o computador pra ligar, rodar um mirc e ficar batendo papo com as menininhas. parei de usar. Voltei a usar em 2004, quando ingressei na faculdade definitiva ( Ruy Barbosa ), com o Debian Potato, logo apos indo para a primeira versão do Ubuntu, e sai usando vários buntus da vida até trocar definitivamente para o Arch Linux ( e não pretendo trocar de novo, tá bom aqui ). Eu comecei a desenvolver para Software Livre dentro da faculdade, quando eu estudava C / GTK fazia programinhas bestas e colocava-os no Gnome, depois comecei a fazer coisas em Qt e C++, e passei a modificar um pouco os programas do KDE, dai fiz o Rocs e essa foi meu ingresso real no mundo do SL e do KDE.

-Você é o criador e pricipal desenvolvedor do Rocs (Ferramenta educacional de ensino de grafos), conte-nos por que desenvolver tal ferramenta e um pouco sobre a experiencia que está tendo agora que o Rocs entrou para o KDE SC (vou explicar pq KDE SC depois) ?

Fiz porquê existia uma materia chamada “Teoria dos Grafos” na minha faculdade, onde os projetos semestrais deveriam ser graficos para uma visualização mais simples, e além disso não existia uma ide grafica para grafos boa. existia o Rox, em java, que rodava em cima do eclipse, poxa, eu detesto trabalhar em java, e acho que uma IDE que consome 400 megas só pra poder desenhar bolinhas e arestas dos grafos não era muito boa idéia. Então comecei escrever um meu proprio programa, que queria que fosse mais simples de usar, que não fosse atrelado em uma IDE, e que pudesse ser utilizado por mais de uma linguagem. essa ultima parte não consegui, só pode usar javascript nele, mas o bichinho está bem rapido.

-Como você vê a atual participação das universidades na comunidades SL aqui no Brasil?

Pequenas, Poucos alunos conhecem o GSoC, poucos se interessam em aprender coisas que vão além do que as faculdades passam. A UFBA está colocando um novo curso opcional chamado ‘Projetos OpenSource’ , onde Sandro Andrade estará ministrando de graça no próximo semestre, mas aqui na bahia pelo menos, de todas as faculdades que eu visitei, a minha era a unica que tinha pessoas ativas em *desenvolvimento* de software livre. uma outra faculdade, a Area1 é ativa no desenvolvimento de uma distro de reempacotamento (eu realmente não vejo muito sentido nisso… ), a Unijorge é ativa em comunidade Ubuntu, mas ninguem programa ( claro, excessões, um dos pouquissimos programadores de inkscape brasileiros é baiano, mas isso é a excessão da excessão )

-Na sua universidade existe incentivo, não somente dos professores mas da instituição como um todo, ao envolvimento dos alunos em projetos SL? Se existe como são esses incentivos?

Não existem incentivos, nem de professores nem da instituição. Tenho brigas homéricas sobre isso praticamente sempre, eu já representei o kde em 9 congressos ( inclusive no exterior ), e em nenhum tive qualquer tipo de ajuda da faculdade, nem de custo, nem de ‘boa sorte’.

-Que beneficios a sua participação no SL já lhe trouxeram na vida acadêmica?

Nenhum, Faço isso realmente porquê gosto, mas com uma faculdade que é parceira microsoft e professores que não gostam de pensamento novo, como vamos conseguir beneficios em carreira academica? agora, a parte de palestras e eventos, isso sendo contado na vida academica ajudou bastante.

-Você é um dos contribuidores mais ativos do KDE-BR com palestras e mini-cursos em vários eventos. Pode citar alguns deles?

Meu primeiro curso pelo KDE foi em 2008, no LatinoWare, dei uma oficina de 6h sobre C++ e Qt junto com Sandro Andrade, que é meu professor e amigo.

depois dessa, fomos ao FISL 2009 onde demos várias palestras:
– O que há de novo no KDE?
– Contribuindo para OpenSource
– Encontro de Usuarios e Desenvolvedores do KDE
– Encontro de Participantes do GSoC
– KDE e Projetos Brasileiros.

Após o FISL, fomos para Las Palmas de Gran Canaria, para o Akademy 2009, que dessa vez seria junto com o Gnome, muitas pessoas no evento, várias festas patrocinadas pela nokia e maemo ( quem disse que nerd não se diverte? )

Depois do fisl, alguns eventos pequenos em Tocantins, Bahia, Minas Gerais ( que culminou com a criação do KDE-MG , um outro grupo que está avançando o KDE no brasil ),

Ai o SoliSC veio, e foi o ultimo encontro que eu fiz aqui pelo KDE. mas ano que vem teremos boas novidades, estamos trabalhando pra fazer um Akademy – BR na bahia, todo patrocinado pelo KDE. mas o Akademy não é um encontro para buscarmos novos desenvolvedores, e sim um para unirmos os laços com os que já contribuem.

-Essas participações lhe trouxeram algum beneficio pessoal?

Ah, conheci muita gente, eu achava que sabia programar até conhecer o Artur ( openbossa ), me ensinou muito. Tive 1 semana hospedado no mesmo hotel com Nuno Pinheiro, de portugal, conversando com muita gente mais antiga que eu no Akademy – 2009, em Las Palmas de Gran Canaria, foi sensacional.

Quem quiser mais informações sobre o KDE, podem acessar o blog do Live-blue (grupo fundado pelo Tomaz, Vito e Sandro)

Abraços

Wagner de Melo Reck

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