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Coragem ruidosa

O silencio incomoda. Gera ansiedade e angustia. Toda concentração vai embora para um que atende pelo nome de medo. O medo trava.

Busco uma música para acabar com isso. Coloco meus fones e me distraio. Tento fazer algo que eu posso considerar útil quando do futuro olhar pra trás, mas o medo continua lá.

A ansiedade aumenta e então percebo que não coloquei nenhuma música para tocar. O que eu quero ouvir? talvez algo pesado para acabar com esse silêncio. Não estou gostando dela, é muito alta e rápida, está tirando minha concentração. Talvez se eu ver um vídeo sobre como funciona um motor me acalme.

Funcionou mas preciso fazer algo, talvez se eu ouvir essas outras músicas aqui… que música bonita. Ela é triste e forte. Eu sinto a dor nela. Ela fala de um senhor que transborda felicidade mas que ainda sofre com a morte de seu cachorro e que dança e mendiga uns trocados para beber. Mas como ele dança, caralho! Tenho vontade de dançar. Vontade de levantar e dançar, mas só choro um pouco e a música termina.

Por que isso? por que essa tristeza toda? Não sei, acho que isso tá muito enterrado e não consigo ver a origem. Vou ouvir essas outras aqui. Mas música triste? gostei desse palhaço triste. A voz dele é legal e as músicas são quase sempre tristes. A ansiedade dele transborda pelos movimentos rápidos das mãos. Eu noto e copio, talvez eu consiga tirar um pouco da minha ansiedade e jogar fora.

Queria ouvir outra coisa, mas o que? o que eu gosto de ouvir? não tenho vontade de ouvir coisas antigas, mas queria conhecer músicas novas. Talvez essa aqui. Ela é legal, mas ou presto atenção nela ou tento fazer meu trabalho. Vou tentar trabalhar.

O tempo passa e muita gente passa na minha volta sem eu perceber ninguém. Pessoas falam comigo e eu não sei o que eu respondi. Já se passaram 2 horas, talvez se eu tomar um café, mas isso vai me deixar ainda mais ansioso. Preciso sair daqui. Vou inventar alguma coisa tipo pegar comida ou pegar uma água. Não sinto vontade de voltar pra sala, na verdade sinto vontade de sentar aqui no corredor mesmo. Só sentar sem fazer nada, mas só de pensar isso volta o pensamento: preciso fazer algo.

Fui no banheiro, fiquei lá um pouco pensando em como veio a esse ponto (continuo sem saber a resposta) e agora estou de volta no meu computador. estou a uns minutos olhando pra tela em busca de forças para fazer meu trabalho. Qualquer erro me fazer desistir e jogar tudo pra cima. Não quero mais ficar aqui, quero ir pra casa mas não posso por que tenho horas para cumprir. Vou tentar o youtube de novo, talvez tenha um vídeo novo. Nada novo, tudo repetido, tudo mais do mesmo. Queria conseguir conversar com as pessoas, mas não consigo. Tudo está tão de difícil de fazer ultimamente, mesmo as cosias mais simples como mandar uma mensagem ou uma piada que eu vi… não entendo isso…

Às vezes a vontade de atirar tudo pra cima, de sumir desse planeta, de sair correndo e chorando alto na rua. Mas eu sei que nunca faria isso por que não é sumir, não é desistir. É apenas tirar essa angustia que aperta meu peito. É ter coragem de ser feliz, mesmo no silencio.

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The Gathering

O Senhor forjou nossas alianças não para aprisionar um ao outro, mas para nos encontrarmos aconteça o que acontecer. Elas também nos guiarão pela terra onde as sombras se deitam e nos protegerão de todo mal. Junto delas e com sua luz, minha Elendil, atravessaremos qualquer floresta negra e qualquer salão de pedra abandonado sem medo de nenhum ressurgido ou forças das profundezas. Usaremos de nosso choque do trovão e armas de uma galáxia muito muito distante para combater o mal de todas as nações.

Que o anoitecer chegue silencioso e nos traga toda uma nova paleta de cores para pintarmos novos quadros na nossa memória. Façamos isso para que o amanhã nos leve para lugares longe de nosso lar mas cheios de aventuras inesperadas.

Que os elfos vivam suficiente para ver toda extensão dessa estrada que trilharemos juntos.

I lava you, sua Boba

Cantarolices da tarde

Estava aqui ouvindo umas músicas e toca essa aqui:

Seu sorriso é tão resplandecente
Que deixou meu coração alegre
Me dê a mão pra fugir desta terrível escuridão

Desde o dia em que eu te reencontrei
Me lembrei daquele lindo lugar
Que na minha infância era especial para mim
Quero saber se comigo você quer vir dançar
Se me der a mão eu te levarei
Por um caminho cheio de sombras e de luz

Você pode até não perceber
Mas o meu coração se amarrou em você
Que precisa de alguém pra te mostrar o amor que o mundo te dá

Meu alegre coração palpita
Por um universo de esperança
Me dê a mão, a magia nos espera
Vou te amar por toda minha vida
Vem comigo por este caminho
Me dê a mão, pra fugir desta terrível escuridão

Lembra, foi aqui que um dia deixei
Um grande tesouro pra te lembrar
Mesmo que um dia eu cresça
Meu amor nunca terá fim
Quero saber, que galáxia você quer desvendar
Se me der a mão, contigo eu irei
A qualquer destino que esconde esse céu azul

Mesmo assim, eu só quero lembrar
Que tudo o que eu guardei foi desejo de amar
Mas hoje eu sou esse alguém que vai te mostrar o amor
Que tenho pra dar

Meu alegre coração palpita
Por um universo de esperança
Me dê a mão, a magia nos espera
Vou te amar por toda minha vida
Vem comigo por este caminho
Me dê a mão, pra fugir desta terrível escuridão

Descontrole que gera descontrole

É preciso correr muito para ficar no mesmo lugar. Se você quer chegar a outro lugar, corra duas vezes mais.

Correndo correndo correndo e não saindo do lugar. Isso tem definido minhas últimas semanas. Os motivos ainda estão muito crus e não os compreendo em suas totalidades. Mas a falta de controle sobre o que eu faço tem gerado mais descontrole.

Não diria que faço as coisas sem pensar. Diria até que penso demais antes de agir. Muitas vezes invejei quem não sabia que era impossível foi lá e fez. Acho que a procura pela solução ideal me faz descartar todas as boas alternativas. Eu trabalho fazendo projetos dentro de projetos existentes. Uma nova funcionalidade normalmente implica em mudanças no restante do projeto. Que formas essa funcionalidade pode ser inserida causando o mínimo de impacto? Cada ação minha é guiada por este pensamento. Com o tempo e o maior conhecimento dos sistemas isso se torna trivial. O problema começa quando existem várias coisas para serem feitas e os pensamentos começam a se confundir.

Minha cabeça tem andando confusa ultimamente por conta da quantidade de coisas a serem finalizadas. Elas estão “prontas” porém não finalizadas e cada dia que passa novas funcionalidades são solicitadas. Não estou sendo muito feliz em organizar isso e estou apenas fazendo o que dá. Isso é uma bosta por que não me permite nem pensar nas minhas atividades pessoais. Me sinto como se não tivesse tempo para minhas coisas. Queria mais tempo para pensar nas palestras, para iniciar novos projetos pessoais, para conhecer novos lugares. Mas, apesar de estar conseguindo controlar melhor a questão do meu tempo de trabalho, o que já foi um problema no passado, hoje eu faço meu horário certinho, porém não sinto que ele é produtivo na maioria dos dias.

Estou fazendo um esforço para mudar isso. Estou aprendendo a delegar tarefas e cobrar os resultados. Estou tentando organizar coisas que estão debaixo do tapete para que elas parem de me assombrar. Enfim, estou tentando dar um jeito nas coisas de um jeito meio bruto, sem muita técnica.

Aqueles comentários em forma de poema que encontramos na internet

Estava vendo um texto de sobre o desempenho de uma empresa quando me deparo com o seguinte comentário:


 

Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas
Bertolt Brecht

Rio de Janeiro com sua falta de ônibus e as consequências

Gosto muito das facilidades de andar de carro/moto mas venho tentado mudar isso usando mais o transporte público. Acho louvável quem faz isso.

Mas as coisas estão complicadas aqui pela cidade maravilhosa. A prefeitura tem cortado linhas de ônibus e reduzido linhas “normais” para colocar linhas “especiais” (mais caro e com mais conforto). Fora as ações de cortar linhas de algumas localidades para outras (zona norte para zona sul, por exemplo).

A redução das linhas, somado ao número grande obras, faz como que aconteçam situações como as de hoje onde levamos mais de 1 hora esperando por um ônibus que fosse para uma localidade até que decidimos ir para outro ponto. Após mais 20 minutos, um ônibus passa e podemos pegar. Estávamos muito cansados e com os pés doendo muito.

Após alguns minutos chegamos num ponto que tinha umas 6 pessoas e uma delas estava muito brava pela demora (creio que eles estivessem a mais de uma hora e meia no ponto esperando por um ônibus). Ela subiu no ônibus batendo palmas para o motorista e reclamando do fato de estar a uma hora no ponto. Não acho que o motorista seja o responsável pelo sucateamento do sistema de transporte público e nem acho que ele tenha conseguido atrasar esse tanto.  Acho a crítica dela ultra válida, mas talvez ela tenha escolhido a forma e o alvo sem pensar muito em como aquilo mudaria a situação da tal linha.

Mas o pior estava por vir, um cara estava atrás dele disse que aquele showzinho do cara não ia adiantar por que o motorista não era o responsável por todo aquele atraso. Nisso o cara da frente começou a discutir com o passageiro de trás e começou a empurrá-lo. A discussão continuou e uma passageira se levantou e pediu para pararem. Os empurrões vivaram socos e pontapés. A moça ameaçou chamar uma viatura. Por fim o cara do showzinho entrou entrou no ônibus e o mesmo partiu deixando o outro rapaz para trás.

Não soube como agir. Tive vários pensamentos e alguns deles talvez me fariam ganhar o status de réu primário, mas não soube como agir.

 

Canções de redenção

Até quando vamos ficar parados enquanto matam nossos profetas?

Eu não me sinto bem ao ver injustiças, ainda mais quando essas são contra pessoas que pensam diferente ou não se encaixam no nosso atual modelo de sociedade.

Já perdi noites tranquilas pensando em pessoas que apenas lutam por seus direitos de expressar suas ideias e são silenciadas.

Me pergunto qual meu papel nisso tudo, como eu posso mudar alguma coisa ou como eu posso “salvar” o mundo.

Sei que esse “salvar” significa livra-lo do que eu acho errado, mas sei que esse errado é apenas minha visão sobre as coisas. Um dia eu aprenderei lidar com isso.

Mas o que me faz colocar essas palavras aqui é outro motivo que apesar de parecer egoísta, eu acho que mais importante que salvar o mundo. A pergunta que não quer calar: Como eu vou salvar o mundo se eu não me salvo primeiro, se eu não consigo nem a lidar com os meus conflitos internos?

Acho que eu deveria adotar a filosofia deboista para algumas situações. Como me disseram uma vez “seja a mudança que você quer no mundo, não se preocupe com as outras pessoas, tu não pode mudar elas”. Da mesma forma que eu não posso me preocupar se as pessoas estão criando expectativas quanto a mim, mas isto é algo que eu ainda não tenho certeza se eu tenho ou não que me preocupar. Claro que eu não vejo isso não é pretexto pra sair fazendo merda na vida das pessoas.

Parece que quanto mais eu me aproximo das pessoas mais eu me coloco na defensiva e mais afasto elas. Eu não sei direito o motivo, talvez por que eu tente sempre criar uma imagem de pessoa perfeita e séria, o que eu sei que não sou. Nesse mesmo momento tem pessoas querendo muito falar comigo mas eu não estou com vontade de conversar com ninguém. Isso é errado? até onde eu “posso” fazer isso sem que isso seja algo prejudicial pra mim?


Esse é um texto antigo, começado em 30 de setembro de 2014, e publicado em 4 de março de 2016.